Arquivos Mensais: Dezembro 2007

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Ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que transcendem a alheia compreensão.

Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir, compreendendo-se que semelhante faculdade é característica de todas as criaturas.

Acontece, porém, que o homem espera habitualmente pelas entidades protetoras em horas de prova e sofrimento, para arremessar-se ao estudo e ao trabalho quase sempre com extremas dificuldades de aproveitamento das lições que o visitam, quando o nosso dever mais simples é o de seguir, em paz, ao encontro da Espiritualidade Superior, movimentando a nossa própria iniciativa, no terreno firme do bem.

A própria natureza é pródiga de ensinamentos nesse particular.

A terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera.

O Sol é médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.

Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva.

Ampara aos teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento psíquico.

Na plantação da simpatia, por intermédio de uma simples palavra, estabelecemos, em torno de nós, renovadora corrente de auxílio.

Não aguardes o toque de inteligências estranhas à tua, para que te transformes no canal da alegria e da fraternidade, a benefício dos outros e de ti mesmo.

Emmanuel – Chico Xavier

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Semelhante atrai semelhante, medo gera medo e violência gera violência. Os interessados em defender seus mercados de sangue, terror e violência, encontram muitas desculpas e justificativas sociais, políticas e econômicas. Seus banners, cartazes e outdoors são a retratação do medo e do negativismo. Se a desculpa é a autodefesa, os bandidos sempre possuirão uma arma maior, jogando sua defesa por terra, se a desculpa é o controle político e/ou legal, nunca houve controle e jamais haverá, jogando as desculpas no vazio.

A questão de quem possui um karma negativo com vastas possibilidadesde atrair violência, aí sim é que deverá se abster de possuir ou portar qualquer objeto, que evoque a violência, afinal o karma não é fatalista, mas a Lei do Semelhante é.

As formas-pensamento (holopensene) de violência são predominantes no planeta e estas precisam começar a se dissipar à partir da formação de egrégoras de paz pelos mais lúcidos, conscientes e corajosos: os espiritualistas operosos.

Se fabricar armas para se proteger gerasse paz (se é que isto poderia ser chamado de paz), os países bélicos estariam tranqüilos. Atualmente (2005) o país mais rico e mais armado do mundo é o povo mais amedrontado pela ameaça do terrorismo (contra os fatos não há argumentos).

É preciso gerar paz de espírito e serenidade íntima, para gerar formas-pensamento sadias. Aqui está o início de tudo, criar ou anular leis de nada adianta. A paz não se impõe, se conquista. Não é um objeto fabricado para agredir, carregado na cintura, que trará paz ou segurança a seu portador, ou melhor, este tipo de ser, mesmo sem possuir o objeto agressor, gera formas mentais agressivas, que atraem violência para si e para a humanidade, repercutindo na aura de todo o planeta. As atitudes de paz são íntimas, isoladas e solitárias. As leis servem apenas para coagir a sociedade, que se sentindo ameaçada (medo), reprime seu instinto baixo, mas não o domina. Se assim não fosse, as leis seriam desnecessárias.

Você analisa o nível evolutivo de uma sociedade pelo número de leis que ela necessita. Quanto mais leis e quanto mais severas, mais atrasado é aquele grupo. Uma sociedade avançada não necessita nem de leis e nem de armas, todo o código está implícito na consciência de cada indivíduo.

Portanto, a abordagem de nossa intenção neste texto, não é política, legal ou social, mas consciencial. No mundo da matéria, a retórica política e social sempre encontrará argumentos “justos” para seus motivos, tal qual a filosofia inócua, pode renegar a espiritualidade, mas os que possuem mais de cinco sentidos, podem perceber do que estamos falando, e é para estes que estamos falando.

Então mãos a obra, pois a PAZ é ação, coragem, iniciativa e autoconfiança.

Escrito a duas mentes e dois corações.
Dalton e Sanat Khum Maat – em 09/09/2005

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* Prática bioenergética em prol da Paz Mundial *
Por Sanat Khum Maat passado em 28/08/2005 – Curitiba


Não importa quem seja você ou o que já fez em sua vida, ao se dispor com intenção sincera a fazer este exercício, você estará muito bem
amparado. Faça este exercício todos os dias por cerca de 10 ou 15 minutos e estará contribuindo com a Paz Mundial e com sua própria
evolução pessoal.

1. Escolha um ambiente tranqüilo e acolhedor e relaxe,
2. Sinta a presença de seu amigo espiritual,
3. Na posição sentado ou deitado, eleve os pensamentos ao
Criador,
4. De forma alternada exteriorize e circule suas bioenergias
diversas vezes…
5. Veja a Terra de fora dela, como se fosse um astronauta
distante,
6. Você se aproxima dela lentamente, ela diminui de tamanho,
enquanto você aumenta e se torna um gigante diversas vezes maior que
ela,
7. Ela entra em seu peito ocupando e permeando sua caixa
torácica,
8. Sua cor é agora branco-azulado cintilante, irradiando Paz,
Amor e Luz para todos os lados.
9. Ela deve permanecer assim por alguns minutos…
10. Após este breve intervalo ela sai de dentro de seu peito e
estaciona flutuando a sua frente,
11. De frente para seu cardiochacra, ela começa a receber do
mesmo, raios de Luz branco-azulados de Paz, Amor e Luz…
12. Ao mesmo tempo suas mãos de “gigante cósmico” a envolvem sem
a tocarem,
13. Das palmas de suas mãos, também se espraiam raios de luz
branco-azulados de Paz, Amor e Luz atingindo a Terra ao mesmo tempo
que seu cardiochacra…
14. Permaneça assim por quanto tempo se sentir confortável e em
sintonia elevada.

 

PAZ e LUZ *

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A Vida e as Obras

Diversamente de Sócrates , que era filho do povo, Platão nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e abastados, de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico e dialético – manifestação característica e suma do gênio grego – deu, na mocidade, livre curso ao seu talento poético, que o acompanhou durante a vida toda, manifestando-se na expressão estética de seus escritos; entretanto isto prejudicou sem dúvida a precisão e a ordem do seu pensamento, tanto assim que várias partes de suas obras não têm verdadeira importância e valor filosófico.

Aos vinte anos, Platão travou relação com Sócrates – mais velho do que ele quarenta anos – e gozou por oito anos do ensinamento e da amizade do mestre. Quando discípulo de Sócrates e ainda depois, Platão estudou também os maiores pré-socráticos. Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides, em Mégara.

Daí deu início a suas viagens, e fez um vasto giro pelo mundo para se instruir (390-388). Visitou o Egito, de que admirou a veneranda antigüidade e estabilidade política; a Itália meridional, onde teve ocasião de travar relações com os pitagóricos (tal contato será fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento); a Sicília, onde conheceu Dionísio o Antigo, tirano de Siracusa e travou amizade profunda com Dion, cunhado daquele. Caído, porém, na desgraça do tirano pela sua fraqueza, foi vendido como escravo. Libertado graças a um amigo, voltou a Atenas.

Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebre escola, que, dos jardins de Academo, onde surgiu, tomou o nome famoso de Academia. Adquiriu, perto de Colona, povoado da Ática, uma herdade, onde levantou um templo às Musas, que se tornou propriedade coletiva da escola e foi por ela conservada durante quase um milênio, até o tempo do imperador Justiniano (529 d.C.).

Platão, ao contrário de Sócrates, interessou-se vivamente pela política e pela filosofia política. Foi assim que o filósofo, após a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas vezes – em 366 e em 361 – à Dion, esperando poder experimentar o seu ideal político e realizar a sua política utopista. Estas duas viagens políticas a Siracusa, porém, não tiveram melhor êxito do que a precedente: a primeira viagem terminou com desterro de Dion; na segunda, Platão foi preso por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus amigos, estando, então, Arquistas no governo do poderoso estado de Tarento.

Voltando para Atenas, Platão dedicou-se inteiramente à especulação metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suas obras, atividade que não foi interrompida a não ser pela morte. Esta veio operar aquela libertação definitiva do cárcere do corpo, da qual a filosofia – como lemos no Fédon – não é senão uma assídua preparação e realização no tempo. Morreu o grande Platão em 348 ou 347 a.C., com oitenta anos de idade.

Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas. Dos 35 diálogos, porém, que correm sob o seu nome, muitos são apócrifos, outros de autenticidade duvidosa.

A forma dos escritos platônicos é o diálogo, transição espontânea entre o ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e o método estritamente didático de Aristóteles. No fundador da Academia, o mito e a poesia confundem-se muitas vezes com os elementos puramente racionais do sistema. Faltam-lhe ainda o rigor, a precisão, o método, a terminologia científica que tanto caracterizam os escritos do sábio estagirita.

A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta anos da sua vida: desde a morte de Sócrates , até a sua morte. A parte mais importante da atividade literária de Platão é representada pelos diálogos – em três grupos principais, segundo certa ordem cronológica, lógica e formal, que representa a evolução do pensamento platônico, do socratismo ao aristotelismo .

O Pensamento: A Gnosiologia

Como já em Sócrates, assim em Platão a filosofia tem um fim prático, moral; é a grande ciência que resolve o problema da vida. Este fim prático realiza-se, no entanto, intelectualmente, através da especulação, do conhecimento da ciência. Mas – diversamente de Sócrates, que limitava a pesquisa filosófica, conceptual, ao campo antropológico e moral – Platão estende tal indagação ao campo metafísico e cosmológico, isto é, a toda a realidade. Este caráter íntimo, humano, religioso da filosofia, em Platão é tornado especialmente vivo, angustioso, pela viva sensibilidade do filósofo em face do universal vir-a-ser, nascer e perecer de todas as coisas; em face do mal, da desordem que se manifesta em especial no homem, onde o corpo é inimigo do espírito, o sentido se opõe ao intelecto, a paixão contrasta com a razão. Assim, considera Platão o espírito humano peregrino neste mundo e prisioneiro na caverna do corpo. Deve, pois, transpor este mundo e libertar-se do corpo para realizar o seu fim, isto é, chegar à contemplação do inteligível, para o qual é atraído por um amor nostálgico, pelo eros platônico.

Platão como Sócrates, parte do conhecimento empírico, sensível, da opinião do vulgo e dos sofistas, para chegar ao conhecimento intelectual, conceptual, universal e imutável. A gnosiologia platônica, porém, tem o caráter científico, filosófico, que falta a gnosiologia socrática, ainda que as conclusões sejam, mais ou menos, idênticas. O conhecimento sensível deve ser superado por um outro conhecimento, o conhecimento conceptual, porquanto no conhecimento humano, como efetivamente, apresentam-se elementos que não se podem explicar mediante a sensação. O conhecimento sensível, particular, mutável e relativo, não pode explicar o conhecimento intelectual, que tem por sua característica a universalidade, a imutabilidade, o absoluto (do conceito); e ainda menos pode o conhecimento sensível explicar o dever ser, os valores de beleza, verdade e bondade, que estão efetivamente presentes no espírito humano, e se distinguem diametralmente de seus opostos, fealdade, erro e mal-posição e distinção que o sentido não pode operar por si mesmo.

Segundo Platão, o conhecimento humano integral fica nitidamente dividido em dois graus: o conhecimento sensível, particular, mutável e relativo, e o conhecimento intelectual, universal, imutável, absoluto, que ilumina o primeiro conhecimento, mas que dele não se pode derivar. A diferença essencial entre o conhecimento sensível, a opinião verdadeira e o conhecimento intelectual, racional em geral, está nisto: o conhecimento sensível, embora verdadeiro, não sabe que o é, donde pode passar indiferentemente o conhecimento diverso, cair no erro sem o saber; ao passo que o segundo, além de ser um conhecimento verdadeiro, sabe que o é, não podendo de modo algum ser substituído por um conhecimento diverso, errôneo. Poder-se-ia também dizer que o primeiro sabe que as coisas estão assim, sem saber porque o estão, ao passo que o segundo sabe que as coisas devem estar necessariamente assim como estão, precisamente porque é ciência, isto é, conhecimento das coisas pelas causas.

Sócrates estava convencido, como também Platão, de que o saber intelectual transcende, no seu valor, o saber sensível, mas julgava, todavia, poder construir indutivamente o conceito da sensação, da opinião; Platão, ao contrário, não admite que da sensação – particular, mutável, relativa – se possa de algum modo tirar o conceito universal, imutável, absoluto. E, desenvolvendo, exagerando, exasperando a doutrina da maiêutica socrática, diz que os conceitos são a priori, inatos no espírito humano, donde têm de ser oportunamente tirados, e sustenta que as sensações correspondentes aos conceitos não lhes constituem a origem, e sim a ocasião para fazê-los reviver, relembrar conforme a lei da associação.

Aqui devemos lembrar que Platão, diversamente de Sócrates, dá ao conhecimento racional, conceptual, científico, uma base real, um objeto próprio: as idéias eternas e universais, que são os conceitos, ou alguns conceitos da mente, personalizados. Do mesmo modo, dá ao conhecimento empírico, sensível, à opinião verdadeira, uma base e um fundamento reais, um objeto próprio: as coisas particulares e mutáveis, como as concebiam Heráclito e os sofistas. Deste mundo material e contigente, portanto, não há ciência, devido à sua natureza inferior, mas apenas é possível, no máximo, um conhecimento sensível verdadeiro – opinião verdadeira – que é precisamente o conhecimento adequado à sua natureza inferior. Pode haver conhecimento apenas do mundo imaterial e racional das idéias pela sua natureza superior. Este mundo ideal, racional – no dizer de Platão – transcende inteiramente o mundo empírico, material, em que vivemos.

Teoria das Idéias

Sócrates mostrara no conceito o verdadeiro objeto da ciência. Platão aprofunda-lhe a teoria e procura determinar a relação entre o conceito e a realidade fazendo deste problema o ponto de partida da sua filosofia.

A ciência é objetiva; ao conhecimento certo deve corresponder a realidade. Ora, de um lado, os nossos conceitos são universais, necessários, imutáveis e eternos (Sócrates), do outro, tudo no mundo é individual, contigente e transitório (Heráclito). Deve, logo, existir, além do fenomenal, um outro mundo de realidades, objetivamente dotadas dos mesmos atributos dos conceitos subjetivos que as representam. Estas realidades chamam-se Idéias. As idéias não são, pois, no sentido platônico, representações intelectuais, formas abstratas do pensamento, são realidades objetivas, modelos e arquétipos eternos de que as coisas visíveis são cópias imperfeitas e fugazes. Assim a idéia de homem é o homem abstrato perfeito e universal de que os indivíduos humanos são imitações transitórias e defeituosas.

Todas as idéias existem num mundo separado, o mundo dos inteligíveis, situado na esfera celeste. A certeza da sua existência funda-a Platão na necessidade de salvar o valor objetivo dos nossos conhecimentos e na importância de explicar os atributos do ente de Parmênides, sem, com ele, negar a existência do fieri. Tal a célebre teoria das idéias, alma de toda filosofia platônica, centro em torno do qual gravita todo o seu sistema.

A Metafísica

As Idéias

O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no mundo divino das idéias; e estas contrapõe-se amatéria obscura e incriada. Entre as idéias e a matéria estão o Demiurgo e as almas, através de que desce das idéias à matéria aquilo de racionalidade que nesta matéria aparece.

O divino platônico é representado pelo mundo das idéias e especialmente pela idéia do Bem, que está no vértice. A existência desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecer uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao lado e acima do conhecimento sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade. E, em geral, o mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores, o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a que aspira.

Visto serem as idéias conceitos personalizados, transferidos da ordem lógica à ontológica, terão consequentemente as características dos próprios conceitos: transcenderão a experiência, serão universais, imutáveis. Além disso, as idéias terão aquela mesma ordem lógica dos conceitos, que se obtém mediante a divisão e a classificação, isto é, são ordenadas em sistema hierárquico, estando no vértice a idéia do Bem, que é papel da dialética (lógica real, ontológica) esclarecer. Como a multiplicidade dos indivíduos é unificada nas idéias respectivas, assim a multiplicidade das idéias é unificada na idéia do Bem. Logo, a idéia do Bem, no sistema platônico, é a realidade suprema, donde dependem todas as demais idéias, e todos os valores (éticos, lógicos e estéticos) que se manifestam no mundo sensível; é o ser sem o qual não se explica o vir-a-ser. Portanto, deveria representar o verdadeiro Deus platônico. No entanto, para ser verdadeiramente tal, falta-lhe a personalidade e a atividade criadora. Desta personalidade e atividade criadora – ou, melhor, ordenadora – é, pelo contrário, dotado o Demiurgo o qual, embora superior à matéria, é inferior às idéias, de cujo modelo se serve para ordenar a matéria e transformar o caos em cosmos.

As Almas

A alma, assim como o Demiurgo, desempenha papel de mediador entre as idéias e a matéria, à qual comunica o movimento e a vida, a ordem e a harmonia, em dependência de uma ação do Demiurgo sobre a alma. Assim, deveria ser, tanto no homem como nos outros seres, porquanto Platão é um pampsiquista, quer dizer, anima toda a realidade. Ele, todavia, dá à alma humana um lugar e um tratamento à parte, de superioridade, em vista dos seus impelentes interesses morais e ascéticos, religiosos e místicos. Assim é que considera ele a alma humana como um ser eterno (coeterno às idéias, ao Demiurgo e à matéria), de natureza espiritual, inteligível, caído no mundo material como que por uma espécie de queda original, de um mal radical. Deve portanto, a alma humana, libertar-se do corpo, como de um cárcere; esta libertação, durante a vida terrena, começa e progride mediante a filosofia, que é separação espiritual da alma do corpo, e se realiza com a morte, separando-se, então, na realidade, a alma do corpo.

A faculdade principal, essencial da alma é a de conhecer o mundo ideal, transcendental: contemplação em que se realiza a natureza humana, e da qual depende totalmente a ação moral. Entretanto, sendo que a alma racional é, de fato, unida a um corpo, dotado de atividade sensitiva e vegetativa, deve existir um princípio de uma e outra. Segundo Platão, tais funções seriam desempenhadas por outras duas almas – ou partes da alma: a irascível(ímpeto), que residiria no peito, e a concupiscível (apetite), que residiria no abdome – assim como a alma racional residiria na cabeça. Naturalmente a alma sensitiva e a vegetativa são subordinadas à alma racional.

Logo, segundo Platão, a união da alma espiritual com o corpo é extrínseca, até violenta. A alma não encontra no corpo o seu complemento, o seu instrumento adequado. Mas a alma está no corpo como num cárcere, o intelecto é impedido pelo sentido da visão das idéias, que devem ser trabalhosamente relembradas. E diga-se o mesmo da vontade a respeito das tendências. E, apenas mediante uma disciplina ascética do corpo, que o mortifica inteiramente, e mediante a morte libertadora, que desvencilha para sempre a alma do corpo, o homem realiza a sua verdadeira natureza: a contemplação intuitiva do mundo ideal.

O Mundo

O mundo material, o cosmos platônico, resulta da síntese de dois princípios opostos, as idéias e a matéria. O Demiurgo plasma o caos da matéria no modelo das idéias eternas, introduzindo no caos a alma, princípio de movimento e de ordem. O mundo, pois, está entre o ser (idéia) e o não-ser (matéria), e é o devir ordenado, como o adequado conhecimento sensível está entre o saber e o não-saber, e é a opinião verdadeira. Conforme a cosmologia pampsiquista platônica, haveria, antes de tudo, uma alma do mundo e, depois, partes da alma, dependentes e inferiores, a saber, as almas dos astros, dos homens, etc.

O dualismo dos elementos constitutivos do mundo material resulta do ser e do não-ser, da ordem e da desordem, do bem e do mal, que aparecem no mundo. Da idéia – ser, verdade, bondade, beleza – depende tudo quanto há de positivo, de racional no vir-a-ser da experiência. Da matéria – indeterminada, informe, mutável, irracional, passiva, espacial – depende, ao contrário, tudo que há de negativo na experiência.

Consoante a astronomia platônica, o mundo, o universo sensível, são esféricos. A terra está no centro, em forma de esfera e, ao redor, os astros, as estrelas e os planetas, cravados em esferas ou anéis rodantes, transparentes, explicando-se deste modo o movimento circular deles.

No seu conjunto, o mundo físico percorre uma grande evolução, um ciclo de dez mil anos, não no sentido do progresso, mas no da decadência, terminados os quais, chegado o grande ano do mundo, tudo recomeça de novo. É a clássica concepção grega do eterno retorno, conexa ao clássico dualismo grego, que domina também a grande concepção platônica.

© Texto elaborado por Rosana Madjarof

OBRAS UTILIZADAS

DURANT, Will, História da Filosofia – A Vida e as Idéias dos Grandes Filósofos, São Paulo, Editora Nacional, 1.ª edição, 1926.

FRANCA S. J., Padre Leonel, Noções de História da Filosofia.

PADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luís, História da Filosofia, Edições Melhoramentos, São Paulo, 10.ª edição, 1974.

VERGEZ, André e HUISMAN, Denis, História da Filosofia Ilustrada pelos Textos, Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 4.ª edição, 1980.

Coleção Os Pensadores, Os Pré-socráticos, Abril Cultural, São Paulo, 1.ª edição, vol.I, agosto 1973.

LOUIS CLAUDE DE SAINT-MARTIN


Louis Claude de Saint-Martin, o “Filósofo Desconhecido”, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época.

“É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.”(1)

Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam.

Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. “Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.”(3)

O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.

Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.

“Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.”(5)

Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva.

Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.

Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. “Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário”, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, “grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.”(6)

Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: “São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?”, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. “É preciso que nos contentemos com o que temos”(7), respondeu o Grão-Mestre.

Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.

Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação).

“Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola”, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. “Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar… Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo…”(8)

Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora…; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.

“Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.”(9)

Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.

Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually.

Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.

“Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me… Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.

Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai… Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.”(10)

Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.

A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas.

Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: “Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix…”(11)

Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a “Coisa ativa e inteligente” finalmente mostrou-se aos homens.

Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.

“Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz…”(12)

Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O “Agente Incógnito” teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)

Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.

Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.

Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: “Eu devolvi ao Agente”, conta-nos Willermoz, “a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.”

Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, “que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente”.(14)

Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.

“A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.

“Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)

Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.

“Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, … mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.”(16)

Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.

Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.

A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund.

Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.

Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)

Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.

Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.

Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)

Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. “Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel…, mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando… e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.”(19)

Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:
A Chave do Homem de Desejo.

 

Avant qu’Adam mangeât la pomme,
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.
Depouis, L’oeuvre ne se consomme.
Qu’au edu pur d’un ardent supir;
La Clef de l’Homme de Désir
Doit naître du désir de l’homme.

Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.

Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer.

Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.

O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte.

“Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.”(20)

Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação.

Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.

Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.

“O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.”(21)

A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.

Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.

Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis.

Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo.

Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.

OBRAS DE LOUIS CLAUDE DE SAINT-MARTIN

1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l’Homme et l’Univers. Édimbourg. 1782.
4-) L’Homme de Désir. Lyon, 1790.
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.
8-) Éclair sur l’Association Humaine. Paris, Marais, 1797.
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.
10-) Réflexiones d’un Observateur sur la Question Proposée por l’Institut: “Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d’un Peuple?. Paris, 1798.
11-) De l’Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.
12-) L’Esprit des Choses ou Coup d’Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l’Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.
13-) Le Ministère de l’Homme-Esprit. Paris, 1802.
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t.

TRADUÇÕES DAS OBRAS DE JACOB BÖEHME

17-) L’Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l’Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.
18-)Des Trois Principes de l’Essence Divine ou de l’Eternel Engendrement sans Origine de l’Homme, d’où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol.
19-)Quarente Questions sur l’Origine, l’Essence, l’Etre, la Nature et la Propriété de l’Âme, suivies des “Six Poit”. Paris, 1807.
20-) De la Triple Vie de l’Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.

NOTAS

1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59.
2- Id., t.1, p.5.
3- Id., t.1, p.78-9.
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.
5- Id., p. VI.
6- PAPUS. L’Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d’Aujourd’hui, p. 20.
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.
9- Id. Carta IV.
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.
11- Id., p. 12.
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.
14- Gence. Op. Cit., p. IV.
15- Id., p. VII.
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.

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“Meu destino não depende do Céu ou da Natureza; meu destino depende de mim, assume um taoísta. Como devo ser, pergunta-se o taoísta.”

“Secretamente, o Taoísmo é alquimia em alto grau.”

“O we wu-wei, o caminho da tranquilidade, não significa exatamente o não fazer, mas sim o fluir com a corrente da vida, evitando esforços e preocupações desnecessários.”

“A compreensão do princípio da mudança é a essência do Taoísmo. Buscar o equilíbrio primordial, o seu conceito filosófico.”


Confúcio não era um místico, e sim um reformador ético e social na antiga China. “O que não queres que façam a ti, não faças a outro”, é uma de suas regras. Seus textos formaram o sistema político e religioso, estruturado para manter o equilíbrio e a harmonia entre o Céu, a Terra e a humanidade.


Confúcio, aqui pintado no centro como um sábio igual à Buda, que está à esquerda, e Lao-Tsé (ou Lao-Tsu) o fundador tradicional do Taoísmo, à direita.

O povo chinês reconhece três tradições principais em sua história espiritual: o Confucionismo, o Taoísmo e o Budismo. Confúcio e Lao-Tsé são os fundadores respectivamente do Confucionismo e do Taoísmo. Confúcio, considerado o pensador mais influente da história chinesa, inspirou um movimento que insistia nos valores tradicionais: conduta adequada, modéstia, moderação e respeito pelos rituais.
O Taoísmo começou como uma espécie de filosofia mística, que sublinhava a importância de ser “natural” e espontâneo, de viver sendo um com o Tao, o Caminho, o princípio da realidade. Com o tempo se desenvolveu até converter-se numa religião popular, apoiada em rituais e elixires, assim como em deuses.

Enquanto Confúcio e seus seguidores se preocupavam com a moralidade e a sociedade, o Taoísmo tem uma vertente mais sobrenatural. O Tao e suas ramificações nascem do Tao Te-Ching, uma obra de Lao-Tsé.

O Tao Te-Ching foi escrito quando a vida chinesa estava sendo brutalmente compartimentada por governantes locais que lutavam por conquistar seus oponentes. O escritor taoísta respondeu com uma eloqüente defesa do indivíduo, que contempla muito além da sociedade. Com 5.000 caracteres, Lao-Tsé escreveu esse livro em retiro nas montanhas.

O Tao fala da ação espontânea (wu-wei); a relatividade de todos os juízos de valor; a inevitabilidade da mudança entre os opostos polares; os benefícios da obscuridade, da inutilidade, e especialmente do “nada fazer”.

A tradição taoísta hoje tem rituais com sacerdotes, festivais comunitários, e crenças compartilhadas por todos de que o mundo (macrocosmo) é paralelo ao corpo (microcosmo).

O Taoísmo organizado tem a ver com a dinastia Chang, que tem suas origens no fundador da ordem dos Senhores Celestiais, ChangTaoling. No século XX, o 63° Senhor Celestial escapou da China para Taiwan, sendo sucedido nos anos 70 por Chang Yuanxian.

Enquanto os taoístas consideram Lao-Tsé como seu fundador, a tradição taoísta não procede de uma fonte ou época únicas.
Hoje, centenas de milhares de pessoas conhecem a teoria yin e yang, e sabem que ela representa as energias masculina e feminina; talvez se utilizem do I Ching, o livro das mutações, um importante oráculo chinês; mas talvez não saibam que, no fundo, a chave de tudo isso está no Taoísmo.
Além do Tao Te-Ching, outro importante livro é o Chuang Tzu, uma coletânea de dizeres, histórias e alegorais que apontam para diferentes aspectos da vida.

No fundo, todas as tradições chinesas se aproveitaram dos ensinamentos do Tao: os confucianos, os budistas e os próprios taoístas – até Mao Tse-tung escreveu o Tao da política, na sua época.

http://www.espiritnet.com.br/tao1.htm

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Quando sentes a raiva sucumbir teu ser, afaga teu calor interno com as águas frescas que jorram do teu estado amoroso; diluindo pouco a pouco, aquilo que parece ter poder para te tirar do teu centro, da memória de quem és.

Silencia tua mente, não alimentando tal miséria.
Perdoa não só aquele que te feriu mas, também, a ti mesmo por estar te ferindo agora.
O que deve prevalecer em ti é o amor;

E mesmo sob a presença da raiva, não demore para te dar a cura, deixando teu ser longe das ilusões que te machucam e te fazem acreditar que és vulnerável à dor.
Protege-te docemente do mal, com tua luz.
Tua luz está na simplicidade, na verdade, que a nada castiga, que a nada apavora,
e sim, compreende, dando tempo ao tempo, para que tudo que deve seguir contigo, sempre esteja em estado de amor e compreensão.
Cuida bem de ti, assim estarás cuidando bem de mim e de cada irmão, que sem poder ver a verdade, ainda comete enganos, adoecendo na ignorância e na falta de amor.

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Pessoal, um livro excepcional, principalmente para quem gosta dos mistérios do Egito, segue abaixo a sinopse:

Jesus deveria ter nascido em solo egípcio e pregado suas verdades imorredouras às margens do sagrado rio Nilo em meio à mais desenvolvida e espiritualizada das civilizações da Idade Antiga. Esta não é uma ficção, mas sim a programação que a Alta Espiritualidade planejou para concretizar-se no palco terreno e que promoveria o grande avanço da humanidade encarnada nos séculos futuros, caso a ação perversa de espíritos enegrecidos pela ignorância e pelo ódio não tivessem colaborado para a derrocada do “Grande Projeto Monoteísta no Antigo Egito”.
Akhenaton – A Revolução Espiritual do Antigo Egito é o livro que conduzirá o leitor nesta fantástica viagem ao passado, desvendando a verdade que se oculta atrás de fatos que a História pouco registrou ou que são matéria de especulação entre os arqueólogos modernos. Impressionante por sua mensagem filosófica-espiritual, esta obra mediúnica ditada por Hermes, o Trimegisto, e Radamés retrata com fidelidade a trajetória do mais brilhante e enigmático faraó, Akhenaton, o enviado do Cristo, que muito além de seu tempo revolucionou o Egito, dando início à transformação religiosa na crença a um só deus, que abalou os alicerces da sociedade egípcia no século XIV antes de Cristo.
Da extinta Atlântida, há doze mil anos atrás, a Moisés, novo profeta do Deus Único, aqui está registrada uma instigante história que o leitor nunca ouviu.

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“O Pequeno e o Grande só existem quando vistos de uma consciência limitada”

Provérbio Cigano.

 

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Não ande atrás de mim, talvez eu não saiba liderá-lo.

Por favor, nem ande em minha frente, talvez eu não saiba seguí-lo.

Ande ao meu lado, para que juntos possamos crescer e galgar os degraus da Consciência Terrena. 

 

PRECE DO CAMINHO DA BELEZA
Oração Navajo

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Hoje saio à caminhar
Todo o mal me abandona
Serei tal como fui antes
Terei o corpo leve e uma brisa fresca
a percorrer-me o corpo
Hei de ser feliz para sempre
Nada há de me impedir
Eu caminho com a Beleza à minha frente
Eu caminho com a Beleza atrás de mim
Eu caminho com a Beleza acima de mim
Eu caminho com a Beleza abaixo de mim

Eu caminho com a Beleza ao meu redor

Belas serão minhas palavra

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1. NÃO TEMER NINGUÉM

Uma das armas mais eficazes na subjugação de um ser é impingir-lhe o medo. Sentimento capaz de uma profunda perturbação interior, vindo até a provocar verdadeiros rombos na aura, deixando o indivíduo vulnerável a todos os ataques. Temer alguém significa colocar-se em posição inferior, temer significa não acreditar em si mesmo e em seus potenciais; temer significa falta de fé. O medo faz com que baixemos o nosso campo vibracional, tornando-nos assim vulneráveis às forças externas. Sentir medo de alguém é dar um atestado de que ele é mais forte e poderoso. Quanto mais você der força ao opressor, mais ele se fortalecerá.

2. NÃO SINTA CULPA

Assim como o medo, a culpa é um dos piores estados de espírito que existem. Ela altera nosso campo vibracional, deixando nossa aura (campo de força) vulnerável ao agressor. A culpa enfraquece nosso sistema imunológico e fecha os caminhos para a prosperidade. Um dos maiores recursos utilizados pelos invejosos é fazer com que nos sintamos culpados pelas nossas conquistas. Não faça o jogo deles e saiba que o seu sucesso é merecido. Sustente as suas vitórias sempre!

3. ADOTE UMA POSTURA ATIVA

Nem sempre adotar uma postura defensiva é o melhor negócio. Enfrente a situação. Lembre-se sempre do exemplo do cachorro: quem tem medo do animal e sai correndo, fatalmente será perseguido e mordido. Já quem mantém a calma e contorna a situação pode sair ileso. Ao invés de pensar que alguém pode influenciá-lo negativamente, por que não se adiantar e influenciá-lo beneficamente? Ou será que o mal dele é mais forte que o seu bem? Por que será que nós sempre nos colocamos numa atitude passiva de vítimas? Antes que o outro o alcance com sua maldade, atinja-o antecipadamente com muita luz e pensamentos de paz, compaixão e amor.

4. FIQUE SEMPRE DO SEU LADO

A maior causa dos problemas de relacionamentos humanos é a “Auto-Obsessão”.A influência negativa de uma pessoa sobre outra sempre existirá enquanto houver uma idéia de dominação, de desigualdade humana, enquanto um se achar mais e outro menos, enquanto nossas relações não forem pautadas pelo respeito mútuo. Mas grande parte dos problemas existe porque não nos relacionamos bem com nós mesmos. “Auto-Obsessão” significa não se gostar, não se apoiar, se autoboicotar, se desvalorizar, não satisfazer suas necessidades pessoais e dar força ao outro, permitindo que ele influencie sua vida, achar que os outros merecem mais do que nós. Auto-obsediar-se é não ouvir a voz da nossa alma, é dar mais valor à opinião dos outros.Os que enveredam por esse caminho acabam perdendo sua força pessoal e abrem as portas para toda sorte de pessoas dominadoras e energias de baixo nível. A força interior é nossa maior defesa.

5. SUBA PARA POSIÇÕES ELEVADAS

As flechas não alcançam o céu. Coloque-se sempre em posições elevadas com bons pensamentos, palavras, ações e sentimentos nobres e maduros.Uma atmosfera de pensamentos e sentimentos de alto nível faz com que as energias do mal, que têm pequeno alcance, não o atinjam. Essa é a melhor forma de criar “incompatibilidade” com as forças do mal. Lembrem-se: energias incompatíveis não se misturam.

6. FECHE-SE ÀS INFLUÊNCIAS NEGATIVAS

As vias de acesso pelas quais as influências negativas podem entrar em nosso campo são as portas que levam à nossa alma, ou seja, a mente e o coração. Mantenha ambos sempre resguardados das energias dos maus pensamentos e sentimentos, e fuja das conversas negativas, maldosas e depressivas. Evite lugares densos e de baixo nível. Quando não puder ajudar, afaste-se de pessoas que não lhe acrescentam nada e só o puxam para o lado negativo da vida. O mesmo vale para as leituras, programas de televisão, filmes, músicas e passatempos de baixo nível.

A Busca de uma Definição

 

 

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Quando a maioria das pessoas, atualmente, ouve a palavra xamanismo, pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelanças se estão no Brasil, mas sempre considerado como “programa de índio”.

O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena, e óbvio que foram os indígenas os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da “Medicina da Terra” mas as práticas se originaram no homem primitivo , no paleolítico.

A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje, como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.

A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais, que para mim, é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

As raízes do xamanismo são arcaicas, e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana.As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Na África, entre os povos aborígines da Austrália, entre os Esquimós, na Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.

 

Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em :O xamã, cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.

Muito antes de ter sido descoberto esse “homem do gelo”, no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais, entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs, e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.

 

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Numa das gravuras, um homem com o falo ereto esta deitado ao lado de um bisonte, com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaroe presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 po Lommel, num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.

 

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A figura da gruta de Les Trois Frères, nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil, olha de frente para quem a contempla, com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E, no entanto, o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais, personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.

O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações, seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering, ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.

Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e enfim, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se, aqui, de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.

Se eu tivesse que sintetizar o que é xamanismo, diria que é a “Jornada da Consciência”, é um legado da humanidade, além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o “Espírito Essencial” que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é, e como se relaciona com o Universo. No sentido do “religare” pode ser considerada uma religião. Mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais, possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.

Mas, na essência são práticas religiosas. Ou seja o xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local. O xamanismo é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e que, por sua vez, afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas, nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças…

O xamã é sempre uma figura dominante, e não um santo um avatar ou um profeta.O xamã é um intermediário entre o mundo espiritual da natureza e a comunidade.

A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais, passados pelos ancestrais, que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O guichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta “matar” simbolicamente seu iniciador, ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.

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O “conhecimento” é para todos, mas “sabedoria” é para alguns. Por isso, acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele, pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro, que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. E, o coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso, pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno. Algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas, sem o devido conhecimento e sem as “bênçãos espirituais” Ou seja, ação sem conhecimento. O que pode ser mais problemático ainda.

Muitos iniciam a caminhada, mas poucos atingem as maiores alturas. E, não está limitada aos iluminados, é disponível para todos nós, dependendo da sinceridade, humildade com que a buscamos. Sabedoria xamânica é a sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.

O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura e ensina o que é necessário para o bem comum da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo, sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.

O xamanismo aparece como um reflexo de um “Grande Espírito”, que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos, etc., que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas, através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.

O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã,enfrentou suas sombras, que enfrentou e venceu seus medos : da insanidade, da solidão, do orgulho, da vaidade e dos vícios;da doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso escolhe torna-se curador curado, auxiliador, profeta, visionário, à serviço das pessoas.

 

No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :

  • A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática;
  • A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave, ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo;
  • Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária, a fim de guiar espíritos, obter conhecimento espiritual;
  • Trabalho como canal de cura, o conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza;
  • Devoção à Criação : O Sol, a Lua, as Estrelas, o reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo;
  • Interação com espíritos da natureza;
  • Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe/estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc);
  • Conhecimento sobre o fogo;
  • Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas);
  • Canções de Poder;
  • Danças;
  • Respiratórios e dietas;
  • Contação de histórias, preleições.

O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade, o respeito pela ecologia, o reconhecimento do Sagrado, a necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, a prática do amor incondicional são a base das práticas. A prática estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde.Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.

A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia.No xamanismo, praticado na atualidade, lemos a Magia dos Elementos:

  • A Terra é relacionada com o corpo físico, e com as sensações.
  • A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.
  • O ar é relacionado com a mente é aos pensamentos e idéias.
  • O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.

O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado das práticas xamânicas, das diversas tradições do planeta, para os dias atuais. Assim pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo assim como resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecologicamente correta.

Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres sejam eles pedras, plantas, animais, pássaros, peixes, e até insetos.Para garantir sua sobrevivência, em ambiente hostil, os homens primitivos, interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, das manifestações da natureza, vento, chuva, etc.

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Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, para curas, oráculos.

Os estados alterados de consciência incluem vários graus; Stanley Kryppner chega a classificar 20 estados diferentes de consciência. Eliade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc. também são nomes para a mesma manifestação.

São através desses estados que conseguimos nos conectar com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a nossa percepção para os mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária, não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.

Através desses estados especiais nos alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência. São através desses estados, que é possível conectar com mitos, símbolos, nossa verdade interior, expandir a nossa percepção para os mistérios que estão guardados em nós mesmos.

Aprendem-se as influências e forças da Terra, e como as energias naturais, afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e, novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza.

Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos, que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol, acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares.

O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas “Forças Verdadeiras”, acessadas desde o princípio, na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos senti-las atuando em todos os momentos da cerimônia.

Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão.

As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual, assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante.

As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Muitos vivem, atualmente, com uma sensação de separação, de isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um “microcosmo”, de que somos parte de “algo maior”, de que somos filho da Terra, parte de uma Terra Viva.

Harmonia – Amor – Paz e Luz

Texto extraído do site www.xamanismo.com.br

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Um passeio pela Grande Pirâmide

Entramos pelo lado Norte, a uns 17 metros sobre o solo arenoso do deserto. Nos encontramos imediatamente na siringa, um corredor de 1,20 metros de altura e algo mais de um de largura, que submerge em um ângulo de 26°34′ através de 97 metros de descida. Após um pequeno percurso em horizontal poderemos ao fim levantar a cabeça, chegamos à câmara inacabada na qual é encontrado um porão fechado que, bem seguramente, guarda importantíssimos segredos. Remontando novamente a siringa nos encontramos com a entrada do canal ascendente, que originalmente foi obstruído com enormes blocos de pedra, mas que algum rastejador acostumado teve a habilidade de esquivar abrindo um estreito túnel. Subimos uns 40 metros de igual inclinação e dimensões que o corredor que acabamos de deixar, até encontrar-nos em uma bifurcação: por um lado a grande galeria todavia em suspenso e pelo outro, um estreito corredor em horizontal que após outros 40 metros nos conduz à câmara da rainha, que deveria servir como morada escondida da parceira do faraó.

Retrocendendo o caminho, voltamos à grande galeria, com mais de 2 metros de largura e quase 9 de altura, com pedestais aos lados onde provavelmente repousavam as estátuas dos faraós antepassados de Quéops e que o tempo e os humanos se encarregaram de mudar de lugar. Se diz que estas figuras foram a origem do baralho de Tarô. Outro mistério para acrescentar à pirâmide. Após percorrer seus 46 metros, se chega a um pequeno patamar que dá entrada a um corredor que conduz à antecâmara, também chamada câmara dos rastelos pelo sistema de fechamento que havia para impedir o acesso à câmara do rei, construída em granito e surpreendente pela sua “nudez”. Vejamos agora suas medidas: 20 braças de comprimento (10,48 metros ; 10 braças de largura (5,24 metros) e 5 x 5 braças de altura (5,85 metros). Também aqui, como na câmara da rainha, existem dois canais de ventilação para a passagem da alma do faraó. Sem dúvida, o elemento mais importante desta câmara o constitui o sarcófago, um sólido bloco de granito de Assuan, escavado para permitir a colocação de um corpo em seu interior. Provavelmente esse sarcófago tão espartano somente serviu de morada à múmia real durante dois ou três dias, os necessários para as cerimônias rituais; mas se isto é assim, onde está o corpo de Queóps? É muito possível que o segredo esteja naquele porão fechado que se abria no solo da câmara subterrânea. Talvez através dele se pudesse chegar a outra câmara, a definitiva, escavada no mais profundo da rocha, sob a pirâmide; se é assim, o corpo do faraó que mandou construir a mais gigantesca das pirâmides continua dormindo seu sono eterno entre apertadas fendas por baixo do nível das águas do Nilo.

Como é fácil comprovar, a Grande Pirâmide é um ensinamento, poderíamos dizer um “Livro de pedra”, no qual se encontra escrita a soma dos conhecimentos matemáticos e astronômicos, e está claro que ainda não foi totalmente revelado. Mas, segundo a tradição, transmitida por Massudi, o escriba copto, a Pirâmide também encerra

“a história e a crônica dos tempos passados e dos tempos futuros e de todo acontecimento futuro que ocorrer no Egito”.
A essa investigação já se dedicaram os egiptólogos, com mais ou menos sorte, como agora veremos.

Mas antes de tudo, é preciso destacar umas palavras completas de sentido: “todo acontecimento futuro que ocorrer no Egito.” E, até o presente, os egiptólogos tentaram penetrar no mistério das profecias referentes ao mundo e, especialmente à Europa, particularmente também ao futuro da França, Inglaterra e Alemanha.

Jamais se ouviu falar dos manuscritos encontrados pelos que, em primeiro lugar, tentaram violar os segredos do monumento, como o califa Al Mamún, que tentou entrar no século IX, mandando escavar uma passagem por não haver descoberto a verdadeira entrada da Pirâmide.

Cabe pensar, também, que próximos das primeiras pesquisas, pedras e blocos ficaram ligeiramente deslocados, fato que poderia falsear um pouco os cálculos. Segundo os egiptólogos, as profecias da Pirâmide tem a particularidade de indicar as datas de acontecimentos anunciados. Pelo contrário, são outras profecias as que anunciam os acontecimentos futuros, se bem que quase nunca dão datas exatas, nem sequer aproximadas.

É evidente para todos que se dedicam a resolver estes problemas que, sendo a Pirâmide um monumento geométrico, todas as suas profecias, todos os cálculos de tempo devem estar em forma geométrica.

Se for assim e se é certo que foi descoberto o sistema, este permitiria determinar as datas dos acontecimentos passados, presentes ou futuros, mas não a natureza desses acontecimentos, tal como os vemos ocorrer.

Para dizer a verdade, não se trataria exatamente de uma profecia, mas do anúncio de circustâncias inevitáveis, como são os movimentos cósmicos cujas repercussões humanas escapam à nossa ciência, o que não significa que escapassem à dos sábios que construíram a Pirâmide.

De todo modo, isso demonstra o quão problemático pode ser toda a interpretação atual.

Há aproximadamente um século, em 1865, Robert menzies, ao falar desse problema “temporal”, deu a idéia de que a disposição interna dos corredores e das câmaras poderia representar uma cronologia. Mas sendo de educação cristã, Menzies quis relacionar essa cronologia com a era cristã e chegou à conclusão que, medida em polegadas sacras, o comprimento da Grande Galeria representava nossa era. Inclusive achou que a primeira Passagem Baixa da Antecâmara representava o começo das grandes guerras e acrescentou as adversidades profetizadas pelas Sagradas Escrituras.

Outros sábios adotaram tal idéia, se bem que acrescentando suas próprias interpretações: Smith, Aldersmith, o coronel Garnier, Davidson,Habermann… todos trataram de enquadrar a topografia que planificavam com as datas importantes já conhecidas, a fim de poder indicar as datas futuras.

Mas vacilaram e andaram tateando sem saber se deviam fazer principiar a era cristã no nascimento de Cristo ou em sua crucificação. Duas datas que, naturalmente ninguém conhece com exatidão.

Apesar disso, em 1905, o coronel Garnier obteve 1913 como a data do começo da Grande Guerra Européia ou Primeira Guerra Mundial, o que se aproxima bastante à verdade. E publicou isso em sua obra A Grande Pirâmide, seu construtor e suas profecias.

Não obstante, segundo Habermann, a Pirâmide foi construída como uma “cronologia histórica destinada a assinalar profeticamente os sucessos mais importantes da história de Israel”, coisa bastante difícil de admitir uma vez que as datas de 1939 a 1945 não estão indicadas nessa cronologia e, entretanto, a guerra dessa época foi uma das provas mais duras que os judeus tiveram que sofrer nos tempos modernos.

Georges Barbarin escreveu que “a cronologia da Pirâmide parece estreitamente ligada ao texto do Antigo e Novo Testamento”.

Ainda que isso pareça sujeito a uma grande cautela, colheremos de sua obra, o segredo da Grande Pirâmide, umas datas e estudaremos qual é ou pode ser o futuro.

Segundo ele, o calendário da Pirâmide compreende seis mil anos, equivalente à totalidade da Era Adâmica.

Indica que o ponto geométrico A determina com precisão o equinócio de outono – no hemisfério norte – (22 de setembro à meia-noite) do ano 4000 a.C.

Esse ponto ideal A parte das linhas dos corredores e do revestimento da Pirâmide, e, se fazemos partir a escala axial cronológica da Pirâmide, e, se fazemos partir a escala axial cronológica da Pirâmide desse ponto A, remonta a primeira Passagem Ascedente, a Grande Galeria e finaliza num ponto situado no centro da Antecâmara que corresponderia ao ano de 2001 de nossa era. Isso com a cronologia simbólica que está na linha quebrada desde a entrada exterior (ano 1345 do calendário da Pirâmide) até 1953, ao muro sul da Câmara do Rei.

Sempre segundo Barbarin, quando se chega à intersecção da Passagem Descendente e da primeira Passagem Ascendente, encontra-se uma data muito importante: é a do Êxodo de Israel, no dia 15 de Nissan, ou seja, em 4 de abril de 1486 a.C., e o ano 2513 da Pirâmide.

Bem, sabemos que em nenhum lugar da história do Egito menciona-se esse Êxodo de Israel que, certamente, aconteceu, mas, em relação ao Egito, foi um sucesso carente de importância. Exatamente como se um grupo de descontentes houvesse abandonado o país.

Naturalmente, cabe perguntar se não foi intencionalmente que os sacerdotes do Egito se calarem sobre esse assunto já que, a partir de Moisés, educado nos Templos como iniciado, levou consigo os mais preciosos segredos dos egípcios: suas ciências sagradas.

Podemos citar como exemplo a Arca da Aliança que tem, como vimos, a mesma capacidade que o cofre de granito vermelho da Câmara Real. Davidson e Aldersmith indicaram algumas datas transmitidas por Barbarin, como 02 de agosto de 1909: o czar Nicolas II passa revista naval de Cowes com o rei da Inglaterra Eduardo VII.

Sinceramente, não é possível crer que uma revista naval tenha a menor importância para a humanidade, como uma reunião de políticos em Londres, em 12 de dezembro de 1919.

E se, mais tarde, encontraram as datas da primeira guerra mundial, as de 4-5 de agosto de 1914 e 10-11 de novembro de 1918, datas estas sim importantes, não existe a menor indicação sobre a guerra de 1939-1945, que indubitavelmente foi algo muito mais importante que a revista naval de Cowes. Barbarin também escreveu:

“Do ponto de vista das pirâmides, a era cristã tem seu final com o teto da Grande Galeria, ou seja, a partir de 27-28 de outubro de 1912.”

Ainda que seja um pouco surpreendente ver uma influência religiosa finalizar com o teto de uma galeria, inclusive na Grande Pirâmide, é evidente que o próximo milênio deve marcar o fim de nossa era e que a influência religiosa cristã encontra-se em vias de desaparecer desde o princípio deste século, em virtude de uma lei inevitável do ciclos que conduz a um eterno voltar a começar.

Voltando a Barbarin, que é que realizou o estudo mais sério das pirâmides até nossos dias, indica a data de 15-16 de setembro de 1936, e diz:

“A partir de 15-16 de setembro de 1936, a humanidade (?) mudará completamente de direção pela primeira vez desde a Passagem de Entrada e desde a primeira data da Pirâmide.”

Com efeito, nesse local o corredor muda de direção.

“Nesta data de 15-16 de setembro de 1936 – acrescenta – sai-se do período geral do caos no qual estava desde 4-5 de agosto de 1914″.

1936 foi, certamente, um ano importante da história do Ocidente, especialmente na Espanha, já que em 18 de julho desse ano começou a guerra civil espanhola, prelúdio do grande cataclisma que foi a segunda guerra mundial, mas não é possível dizer que a Europa surgiu do caos então, mas que se afundou mais nele mesmo.

“O muro sul da Câmara do Juízo das Nações – continua Barbarin – que corresponde a data de 1953 está, portanto, sob a ação direta de Mut-Sekhmet, deusa sangrenta da guerra inimiga dos homens, os quais mata sem piedade”.

“É somente da entrada da Câmara do Rei (ou de 1953), que o tabuleiro político dos cincos continentes estará transtornando, e as peças aparecem nesse ponto misturadas, por isso todo incidente numa parte do mundo repercutirá imediatamente na outra metade.”

Entretanto mesmo que consideremos a Grande Pirâmide como uma “cronografia histórica”, não devemos esquecer que só fica assinalado “todo acontecimento futuro que ocorre no Egito.”

Não obstante, há que considerar que tudo está, hoje, misturado no Oriente Médio, assim como todos os interesses de amigos e inimigos também o estão.

Poderemos ter certeza, deixando à parte o tom profético, que na Europa será sofrido o contragolpe do transtorno que, sem dúvida, acontecerá.

A título documental, observamos as próximas datas inscritas, ao que parece, na Grande Pirâmide: julho-dezembro de 1992, e dezembro de 2001.

Essas datas correspondem a outras profecias e, por outro lado, hoje sabemos que, efetivamente, 1992 é uma data de suma importância, por duas razões específicas, ao menos para os espanhóis e os americanos: 1992 é o ano das Olímpiadas celebradas na cidade de Barcelona e também é a comemoração do quingentésimo aniversário do descobrimento do continente americano por Cristovão Colombo. Ambas são datas históricas de grande destaque, especialmente a segunda.

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É verdade, sem engano, certo e muito verdadeiro:
O que está embaixo é como o que está em cima
e o que está em cima é como o que está embaixo;
por tais coisas se fazem os milagres de uma coisa só.
Assim como todas as coisas são e procedem do Uno,
pela mediação do Uno,
assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação.
O Sol é seu pai, a Lua sua mãe.
O Vento trouxe-a em seu ventre.
A Terra o alimenta e é o seu receptáculo.
O Pai de tudo, o Telesma universal, está aqui.
A sua força permanece inteira quando se converte em terra.
Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente, com grande habilidade.
Sobe da Terra ao Céu e desce novamente à Terra
e recebe a força das coisas superiores e das coisas inferiores.
Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti.
É a força forte de toda força,
pois vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida.
Assim o mundo foi criado;
disso sairão adaptações admiráveis cujo meio é dado aqui.
Por isso me chamam Hermes Trimegisto,
porque possuo as três partes da sabedoria do mundo inteiro.
O que eu disse sobre a operação do Sol está completo.

Outros ensinamentos maravilhosos vem de Hermes:

” O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível a inteligência e ao coração…”

” Medite! Você veio de uma estrela, está em uma estrela e voltará para uma estrela! Da próxima vez, pouse suave. Os mestres te orientam…”

” Medite! Você veste o vestido para descer e tira o vestido para subir…”

Interessante entender também, que existiam diversas divindades cultuadas no Antigo Egito e muitos mitos espalhados pela população. Mas nas câmaras secretas, os hermetistas, os sacerdotes ou hierofantes como eram chamados, sabiam da existência de Uma só força primária e sustentadora de tudo! Essa força era conhecido como o TODO! O TODO aquele que está em TUDO! Esse TODO que é o Brahman do hindu, o Tao do Chinês, o Olorum do africano…e tudo mais pois ele é o TODO!

Que os mistérios possam ser revelados, para aqueles que são fortes de mente, mas principalmentes nobres de coração, pois é no coração espiritual que reside a Senda, que leva a luz e a iniciação …

(Sepe, que agradece aos mestres espirituais a oportunidade de aprender agora…)

“Em qualquer lugar que se achem os vestígios do Mestre,

Os ouvidos daqueles que estiverem preparados para receber

O seu Ensinamento, se abrirão completamente.

Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir,

Então vêm os lábios para enchê-los de sabedoria”.

“Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento”.

O Caibalion*

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Existiu no Antigo Egito um mito, uma figura, um mestre conhecido como Toth. A figura de Toth foi mitificada no Egito como o mensageiro dos Deuses e mais tarde na antiga Grécia ele seria também mitificado e conhecido como Hermes o Trismegisto (o três vezes grande). Hermes, ou Thot ficou conhecido como mensageiro dos Deuses e grande mestre da humanidade, por ser concebido a ele ensinamentos, sobre muitas e muitas ciências, como a alquimia, a magia, a astronomia, matemática, geometria, etc.

Hoje em dia é levantada a possibilidade de Hermes não ser apenas uma pessoa mas sim um grupo de iniciados que estudavam juntos e assinavam seus textos com o mesmo nome. Outras teorias mais escandalosas falam de um Hermes Et que teria vindo das estrelas, ensinado o que tinha que ensinar e ido embora. A verdade é que tanto faz, o importante são os ensinamentos deixados, seja por um Hermes ou por “vários”…

Então o hermetismo, que quer dizer “fechado” é um conjunto de conhecimentos, que por muito tempo foi estudado de forma oculta, nas antigas pirâmides egípcias e por seus hierofantes. Esse conhecimento hermético pode ser encontrado em sua base, na Tábua de Esmeralda e no livro O Caibalion.

À Tábua de Esmeralda é um texto antigo, sua autoria teria sido de Hermes, e fala dos princípios herméticos e do conhecimento oculto transmitido por ele. Muitos não souberam como interpretar a Tábua de Esmeralda, pois ela é escrita de uma forma hermética (fechada) para que apenas os iniciados a compreendessem…