Arquivos Diários: Novembro 29th, 2007

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[1] Ó virtuoso, digno por natureza do que é bom,
Compus estas rimas nobres para vos incutir
Aspiração pelo mérito proveniente dos ensinamentos dos Sugatas.
Trata-se de obra curta, para a qual deveis atentar.
[2] Homens sábios veneram imagens dos Sugatas
Feitas de madeira ou outros materiais, seja qual for sua aparência.
Da mesma forma, embora este meu poema seja pobre,
Não o desprezeis, pois está baseado nos ditos do Dharma sagrado.

[3] Embora possais haver mesmo compreendido
Todas as palavras aprimoradas do grande Muni,
Aquilo que é feito de giz não se torna
Ainda mais branco sob a lua da lua de inverno?

[4] O vitorioso proclamou as seis lembranças —
O Buddha, o Dharma, a Sangha,
A generosidade, a moralidade e os deuses.
Recordai cada uma de suas várias virtudes.

[5] Praticai constantemente os dez caminhos do karma virtuoso
Por meio do corpo, da fala e da mente.
Abstende-vos de substâncias inebriantes e, em contrapartida,
Comprazei-vos com um modo de vida virtuoso.

[6] Reconhecendo que a riqueza é efêmera e insubstancial,
Exercei-vos adequadamente em atos de generosidade,
Em prol dos monges, brâmanes, pobres e amigos.
No futuro não haverá amigo melhor que a generosidade.

[7] Vós deveis praticar moralidade inquebrantável e não-aviltada —
A moralidade não-corrompida, imaculada e incorrupta
Foi declarada a base de todas as virtudes,
Da mesma forma que a terra está para todas as coisas móveis e imóveis.

[8] Generosidade, moralidade, paciência, esforço, meditação
E igualmente sabedoria — desenvolvei estas incomensuráveis perfeições
E, tendo cruzado o oceano do samsara,
Tornai-vos o senhor dos vitoriosos.

[9] Qualquer família que reverenciar pai e mãe
Será assistida por Brahma e por mestres espirituais.
Seus membros alcançarão renome por venerá-los
E mais tarde passarão aos estados elevados.

[10] Quando alguém evita o mal, o roubo,
Relações sexuais, mentiras, bebidas,
O desejo por comida em momento inoportuno,
Prazer com posto elevado, canto, dança, várias formas de jóias,

[11] E toma estes oito preceitos,
Emulando a prática moral dos arhats, isto é poshada
Que confere, tanto a homens quanto mulheres,
O corpo atraente de um deus do mundo dos desejos.

[12] Considere inimigos avareza, astúcia
E impostura, apego, ócio, arrogância,
Concupiscência e ódio, presunção por posição social,
Aparência física, saber, saúde e poder.

[13] O Muni declarou ser a presença mental
O caminho da imortalidade, e a desatenção o caminho da morte.
Assim sendo, praticai constantemente a presença mental com respeito,
A fim de cultivar Dharmas virtuosos.

[14] Belo como a lua que se desembaraça das nuvens
É aquele, anteriormente negligente, que se torna atento —
Semelhante a Nanda, Angulimala,
Ajatashatru e Udayana.

[15] Não há austeridade igual à paciência,
Portanto, não deis lugar à raiva.
O Buddha proclamou que, ao superar a raiva,
Atinge-se o estágio de não-retorno.

[16] “Esta pessoa insultou-me, aquela feriu-me ou subjugou-me,
Aquela outra roubou minha riqueza” —
Tais ressentimentos geram conflitos;
Aquele que abandona os ressentimentos dorme tranqüilo.

[17] Entendei os pensamentos como figuras
Desenhadas na água, terra ou pedra.
Para um estado mental aflito, o primeiro é o melhor;
Diante da aspiração ao Dharma, o último.

[18] O vitorioso declarou que a fala de uma pessoa
Pode ser de três tipos — agradável, verdadeira e inadequada —
Tal qual o mel, uma flor e a sujeira.
O último tipo deve ser abandonado.

[19] As pessoas são de quatro tipos — aquelas que saem da luz
E alcançam um fim de luz; as que saem da escuridão
Par um fim de escuridão; as que saem da luz para escuridão;
E as que saem da escuridão para a luz. Sede como o primeiro deles.

[20] Deve-se entender que as pessoas são como mangas —
Há as verdes que parecem maduras,
As maduras que parecem verdes, as verdes que parecem verdes
E as maduras que parecem maduras.

[21] Não olheis para a mulher de outrem;
Mas se dela vos aperceberdes, formulai a concepção
De mãe, filha ou irmã, de acordo com sua idade.
Se surgir apetite sexual, contemplai o estado impuro de seu corpo.

[22] Mantende vigilância sobre a mente dispersa como o faríeis
Diante de um grande saber, um filho, um tesouro ou vossa força vital.
Recuais diante dos prazeres dos sentidos pois são
Como a cobra, o veneno, a arma, o inimigo e o fogo.

[23] Os objetos sensoriais produzem ruína.
O Jinendra declarou que são semelhantes ao fruto do kimpaka
E devem ser abandonados. Por força de seus grilhões,
O mundo está atado à prisão do samsara.

[24] Entre aqueles que triunfam sobre os seis sentidos
Sempre instáveis e dispersivos, e aqueles que triunfam
Sobre uma legião de inimigos no campo de batalha,
Os primeiros são vistos pelos sábios como os maiores heróis.

[25] O corpo de uma jovem — de odor fétido,
Composto de nove orifícios, semelhante a um recipiente de imundícies,
Difícil de ser preenchido e recoberto de pele —
Deve ser visto separadamente de seus adornos.

[26] Entendei que o desejo por objetos sensoriais
É semelhante a um leproso que, ansiando por conforto,
Quando atormentado por larvas,
Expõe seu corpo ao fogo mas não obtém alívio.

[27] A fim de enxergar o significado mais elevado,
Exercitai atenção adequada
Em relação a todos os entes.
Não há outro Dharma que seja tão virtuoso.

[28] Mesmo que uma pessoa provenha de família importante,
Possua belas feições e muitos conhecimentos, não será digna de honra
Se lhe faltar sabedoria e moralidade. Assim, quem possui estas duas
qualidades,
Embora lhes faltem as demais, deve ser venerado.

[29] Ó conhecedor do mundo! Ganho e perda,
Bem-estar e sofrimento, fama e descrédito, elogio e censura —
Sede indiferente a estes oito dharmas mundanos
E não deixeis que entrem em vossa mente.

[30] Não façais o mal, nem mesmo em favor
De um brâmane, monge, deus,
Pai ou mãe, filho, rainha ou séqüito.
Eles não ficarão com parte algum de seus frutos infernais.

[31] Embora o karma negativo cometido
Não corte instantaneamente como uma espada,
O resultado das ações negativas torna-se evidente
Quando chega a hora da morte.

[32] O Muni declarou serem as sete riquezas —
Fé, moralidade, generosidade e aprendizado imaculado,
Bem como decoro, modéstia e sabedoria.
Reconhecei que as demais riquezas são triviais e desprovidas de significado.

[33] Jogo, convívio com multidões, preguiça
E más companhias, bebida e perambulação pela noite
Levam aos estados inferiores e à perda de reputação.
Abandonai estas seis atividades.

[34] O mestre dos deuses e homens declarou
Que estar contente é a maior de todas as riquezas.
Permanecei sempre contente. Aquele que conhece o contentamento
É verdadeiramente rico, mesmo que desprovida de posses materiais.

[35] Amável senhor! Aqueles que têm poucos desejos
Desconhecem a aflição daqueles que detêm muitas posses.
Tanto é o número de cabeças do chefe dos nagas
Quando o sofrimento que delas provém.

[36] Fugi dos três tipos de esposa que são como
Uma assassina, que por natureza se associa com vossos inimigos,
Uma tirana, que desdenha seu marido, e
Uma ladra, que rouba até pequenos objetos.

[37] Aquela que é complacente como uma irmã,
Cara ao coração como uma amiga, desejosa de ajudar com uma mãe
E obediente como uma serva
Deve ser honrada como uma divindade familiar.
[O mesmo é válido para o marido diante de sua esposa.]

[38] A comida deve ser ingerida com adequação,
Como se fosse remédio — sem desejo nem ódio;
Não por presunção, arrogância ou pujança,
Mas apenas para manter o corpo.

[39] Ó justo! Ocupai-vos durante o dia inteiro
E durante o primeiro e último períodos da noite.
Então, para que mesmo vosso tempo de repouso não seja infrutífero,
Repousai de forma atenta entre estes dois períodos.

[40] Praticai meditação constante
Sobre amor, compaixão, alegria e equanimidade.
Mesmo que não consigais alcançar a meta mais elevada,
Obtereis a felicidade do reino de Brahma.

[41] As quatro concentrações — abandono total
Das experiências sensoriais, da alegria, do conforto e do desconforto —
Permitem-nos alcançar a mesma ventura
De Brahma, Abhasvara, Shubakritsa e Vrihatphala.

[42] Os cinco tipos importantes de karmas virtuosos e não-virtuosos
São aqueles praticados com constância, com forte propensão,
Desprovidos de remédio ou à base da virtude suprema.
Aplicai-vos, portanto, à prática da virtude.

[43] Uns poucos grãos de sal podem alterar o gosto
De uma pequena quantidade de água, embora não a do Ganges;
Compreendei que o mesmo karma negativo de uma pequena monta
Fará o mesmo com relação a virtudes incipientes.

[44] Excitação e remorso, malquerença, indolência
E sono, desejos dos sentidos e indecisão;
Reconhecei estes cinco obstáculos
Como ladrões que roubam o tesouro da virtude.

[45] Devemos nos empenhar com zelo na busca da fé,
Vigor, lembrança, concentração e sabedoria —
Os cinco dharmas supremos, também conhecidos
Com as forças, os poderes e os ápices.

[46] O surgimento da presunção é impedido por seu antídoto,
Que é a contemplação repetida do fato de não se estar
Isento da doença, envelhecimento, morte,
Separação daquilo que se deseja e sujeição ao karma.

[47] Se desejardes as esferas mais elevadas e a liberação,
Meditai sobre a visão correta.
Mesmo os bons feitos praticados por uma pessoa com visão equivocada
Geram, todos, terríveis frutos.

[48] Compreendei que os seres humanos são, na realidade,
Infelizes, impermanentes, desprovidos de existência inerente e impuros.
Aqueles em que a lembrança não está bem-estabelecida
Dão ouvidos aos quatro enganos — a fonte de toda ruína.

[49] Declarou-se que “a forma não é existência inerente, a natureza inerente
Não possui forma; a existência inerente não está assentada na forma
E a forma não está assentada na existência inerente”.
Compreendei que os quatro agregados restantes são igualmente vazios.

[50] Os agregados não surgem ao acaso, nem do tempo,
De uma substância primordial, de sua própria essência,
De Ishvara, nem sem causa. Deve-se entender que eles surgem
A partir da ignorância, do karma e do desejo.

[51] Compreensão errônea de práticas ascéticas,
Visão deturpada do próprio ser e dúvida —
Sabei que são estas as três cadeias
Que bloqueiam o portão da cidade da liberação.

[52] A liberação depende do próprio indivíduo.
Nesta tarefa não há necessidade alguma de se associar a outros.
Portanto, aplicai-vos na busca das quatro verdades
Através de sabedoria, moralidade e concentração.

[53] Treinai-vos sempre em moralidade superior,
Sabedora superior e concentração superior.
Estes três treinamentos incluem
Os mais de duzentos e cinqüenta preceitos.

[54] Ó senhor, o Sugata ensinou a lembrança
Das circunstâncias do corpo como a única via do caminho.
Aplicai-vos e observai-a resolutamente.
A perda da lembrança destrói todo o Dharma.

[55] A vida, por ser suscetível de muitos males,
É mais impermanente que uma bolha d’água carregado pelo vento.
O mais admirável é o privilégio de inspirarmos o ar após uma expiração,
E o de acordarmos após o sono.

[56] O fim do corpo é tornar-se pó, secar, apodrecer ou,
Ao cabo, transformar-se em imundície.
Compreendei que ele é desprovido de essência e, por natureza,
Sofre de destruição, ressecamento, putrefação ou dissecação.

[57] A terra, o Meru e os oceanos — mesmo estes corpos físicos
Destinam-se a ser consumidos por setes sóis destruidores, sequer deixando
pó.
Que necessidade há de se falar
Em coisa tão frágil quanto o corpo humano?

[58] Assim, toda existência é impermanente,
Desprovida de qualquer existência inerente; não tem salvador, guardião ou
descanso.
Portanto, ó grande, cultivai aversão pelo samsara que,
Qual uma bananeira, não tem essência.

[59] Mais difícil que uma tartaruga encontrar um laço no oceano
É um animal adquirir vida humana;
Assim, com o poder de ser humano, tornai esta vida frutífera
Através da prática do Dharma sagrado.

[60] Ainda mais tolo que aquele que enche com excremento
Um vaso de ouro incrustado de jóias,
É aquele que, tendo nascido humano,
Pratica maus atos.

[61] Morando numa região auspiciosa,
Seguindo homens santos, de natureza devotada
E tendo praticado méritos anteriormente,
Vós possuis as quatro grandes rodas.

[62] O Muni declarou que seguir um mestre espiritual
É o preenchimento de uma vida religiosa.
Assim, segui os sábios, como fizeram
Os muitos que alcançaram a paz através do vitorioso.

[63] Nascer como alguém que abraça uma visão falsa,
Como um animal, um espírito faminto ou uma criatura do inferno,
Em uma terra desprovida da palavra do vitorioso,
Como um bárbaro em uma área remota, nascer retardado ou idiota,

[64] Ou como um deus de longa vida
São os oito defeitos da inoportunidade.
Tendo encontrado o privilégio de serdes livre deles,
Exercei-vos a fim de reverter o nascimento.

[65] Amável senhor! Desenvolvei repulsa pelo samsara,
Fonte de tanto sofrimento — privação material,
Morte, doença, envelhecimento e coisas semelhantes.
Ouvi, aqui, alguns outros de seus defeitos.

[66] O pai torna-se filho, a mãe, esposa.
Os inimigos tornam-se amigos.
O inverso igualmente ocorre.
Assim, no samsara, não há certeza de espécie alguma

[67] Cada um de nós já bebeu mais leite
Do que os quatro oceanos,
Embora no samsara que se seguirá para pessoa comum
Ainda muito mais resta a ser bebido.

[68] A pilha de ossos que corresponde a cada pessoa
Igualaria ou mesmo ultrapassaria o monte Meru.
A Terra não seria suficiente se alguém contasse sua linhagem materna
Com grãos de barro do tamanho de sementes de zimbro.

[69] Após sermos Shakra, digno de veneração do mundo,
Caímos de volta na terra, pela força do karma;
Ou após sermos um monarca universal,
Assumimos novamente, no samsara, a posição de criado.

[70] Após termos experimentado por muito tempo
O prazer de acariciar os seios e quadris das donzelas celestiais,
Passamos pela insuportável experiência
Dos processos de esmagação, corte e retalhação nos infernos.

[71] Ponderai que, após a experiência prazerosa de sentir o chão afundar
Ao toque de vossos pés — enquanto o cume do monte Meru foi a vossa morada —
O sofrimento terrível de Kukula, a gota de fogo,
E de Kunapa, o pântano de imundície, vos golpeará novamente.

[72] Tendo-vos divertido enquanto belos e aprazíveis jardins eram vossa morada
E donzelas celestiais vos deliciavam,
Novamente vossos braços, pernas, orelhas e nariz são cortados
Em Asipattravana, a floresta de árvores com folhas de espadas.

[73] Após descansar em Mandakini, o riacho da suave corrente,
Com lótus dourados e donzelas celestiais de belo semblante,
Caímos novamente nas águas insuportavelmente cáusticas e ferventes
Do inferno Nadivairatani, o rio sem vau.

[74] Depois de alcançar os enormes prazeres dos reinos celestiais
E mesmo a felicidade suprema do não-apego de Brahma,
Novamente passamos por sofrimento incessante
Como gravetos nas fogueiras de Avichi.

[75] Quando se alcança o estado do sol e da lua,
A luz do corpo ilumina o mundo inteiro.
Porém, ao se retornar novamente à escuridão,
Nem mesmo a mão esticada pode ser vista.

[76] Visto que tais são os defeitos,
Erguei a tocha dos três tipos de mérito;
Pois é sozinhos que ingressamos na escuridão infinita,
Intocada por sol ou lua.

[77] Para os seres que praticam o mal
Haverá sofrimento perpétuo nos infernos
De Samjiva, Kalasutra, Mahatapana,
Samghata, Raurava, Avichi e assim por diante.

[78] Alguns são prensados como gergelim
E outros são igualmente moídos como farinha fina.
Alguns são cortados em pedaços com serrotes;
Outros, ainda, são rachados por machados terríveis de lâminas afiadas.

[79] Outros são igualmente preenchidos
Com líquido flamejante de ferro derretido.
Outros são empalados com espadas de ferro,
Farpadas e flamejantes.

[80] Retalhados por cães ferozes com presas de ferro,
Alguns erguem os braços ao céu,
Enquanto outros seres indefesos são feridos por corvos
Com afiados bicos de ferro e terríveis garras.

[82] Em um monte de escória chamejante,
Alguns são incessantemente queimados — suas bocas escancaradas.
Alguns são servidos de cabeça para baixo
Em grandes caldeirões, como bolos de arroz.

[83] Têm o coração duro como diamante aqueles malfeitores que,
Separados dos infernos apenas até o cessar da respiração,
Não se amedrontam de mil formas após escutar
O sofrimento incomensurável dos infernos.

[84] Se o simples fato de ver desenhos ou estátuas,
Recordar, ler ou ouvir sobre os infernos engendra medo,
Que necessidade há de se falar
Sobre experimentar essa terrível maturação?

[85] Assim com a extinção dos desejos
É a rainha de todos os prazeres,
O sofrimento do inferno Avichi
É o mais terrível de todos os sofrimentos.

[86] O sofrimento que se tem aqui ao ser perfurado
Durante um único dia por trezentas lanças, com toda força,
Não se compara nem iguala mesmo a uma diminuta porção
Do menor sofrimento dos infernos.

[87] Embora sofrimentos tão insuportáveis
Sejam experimentados por até um bilhão de anos,
Não se fica livre daquela vida infernal
Enquanto a não-virtude não se exaurir.

[88] As sementes do sofrimento — os frutos da não-virtude —
São as más ações cometidas através do corpo, fala e mente.
Vós deveis empenhar todas as vossas forças para evitar,
Por todos os meios, mesmo sua mais diminuta ocorrência.

[89] Nascimento na condição de animal traz muitas espécies de sofrimento:
O de ser abatido, amarrado, açoitado e outros.
O destino mais terrível de comer uns aos outros
Agarra aqueles que se afastaram da virtude propiciadora da paz.

[90] Alguns morreram por causa
De pérolas ou lã, ossos, carne ou pele.
Outros, indefesos, são explorados e golpeados
Com pontapés, socos, chicotes, ganchos e ferrões.

[91] Entre os espíritos famintos há sofrimento constante
Causado pela falta de coisas materiais,
Atravessam as mais terríveis agruras
Provocadas por medo, ansiedade, fome, sede, frio e calor.

[92] Alguns, com bocas como fundo de agulha
E estômagos do tamanho de uma montanha,
São torturados pela fome mas são incapazes de comer
Mesmo a mais diminuta quantidade de imundície jogada fora.

[93] Alguns são nus, apenas pele e osso,
Como o topo ressequido de uma palmeira.
Outros têm bocas que chamejam à noite.
Como alimento, comem a areia que lhes cai na boca.

[94] Muitos das classes inferiores não conseguem encontrar
Nem mesmo imundícies como pus, excremento, sangue e coisas semelhantes.
Atacam-se uns aos outros, comendo pus de bócios supurados
Que crescem em seus pescoços.

[95] No verão, mesmo a lua lhes causa calor,
Ao passo que no inverno o sol lhes causa frio.
Ao seu mero olhar, as árvores perdem os frutos
E os rios secam.

[96] Vivendo sob incessante sofrimento
E firmemente presos pelos grilhões kármicos das más ações,
Alguns não morrem por cinco mil
Ou mesmo dez mil anos.

[97] A causa do sabor único com que os fantasmas famintos
Experimentam sofrimentos tão diversos
É o deleite na avareza.
O Buddha declarou ignóbil a sovinice.

[98] Maior que os prazeres dos seres celestiais
É o sofrimento que cerca seu falecimento.
Ao ponderar isto, o justo não anseia
Pela transitoriedade dos reinos celestes.

[99] A cor da pele perde seu viço,
O assento não mais agrada,
As guirlandas murcham, as vestes passam a exalar cheiro
E o corpo suja — como nunca antes.

[100] Estas são as cinco premonições
Que cercam a morte nos reinos celestiais.
Elas aparecem aos deuses de modo similar aos sinais de morte
Que cercam os humanos na Terra, prestes a morrer.

[101] Se, após partir do reino divino,
Não remanesce virtude alguma,
Entra-se inevitavelmente no estado de animal,
Fantasma faminto ou criatura do inferno.

[102] Os semideuses, em decorrência de sua natural hostilidade
Para com a glória dos deuses, têm grande sofrimento mental.
Embora inteligentes, não podem enxergar a verdade
Devido à obstrução de seu estado de ser.

[103] Sendo assim o samsara, não há nascimento auspicioso
Entre os deuses, homens, seres dos infernos,
Espíritos famintos ou animais.
Sabei que o nascimento é um veículo de muitos males.

[104] Mesmo que a cabeça ou as vestes de uma pessoa
Venham subitamente a se incendiar, ela deve abrir mão de apagá-las
E se aplicar para pôr fim ao renascimento.
Nenhum fim é mais exaltado do que este.

[105] Por meio da moralidade, sabedoria e concentração
É preciso alcançar o nirvana —
O estado imaculado de paz e aquietamento —
Eterno, imortal e livre de terra, água, fogo, ar, sol e lua.

[106] Lembrança, discernimento dos Dharmas, esforço,
Alegria, diligência extrema, concentração e equanimidade —
Estes são os sete braços da iluminação,
O conjunto de virtudes que propiciam a realização do nirvana.

[107] Não pode haver concentração sem sabedoria;
Não pode haver sabedoria sem meditação.
Aquele que possui ambos reduz o oceano do samsara
Ao tamanho da pegada de um boi.

[108] Não deveis contemplar as coisas
Que o parente do sol declarou serem
As catorze coisas inexplicadas,
Pois a mente não se pacificará por meio delas.

[109] O Muni declarou que da ignorância surge o karma;
Dele, a consciência, e dela, o nome e a forma;
Destes, as seis faculdades,
E delas, o contato.

[110] Do contato surge a sensação;
Baseado na sensação ocorre o desejo.
Do desejo origina-se o apego;
Deste, a existência, e da existência vem o nascimento.

[111] Quando há nascimento, surgem aflição, doença,
Envelhecimento e pobreza, o medo da morte e assim por diante —
Uma massa enorme de sofrimento.
Ao cessar o nascimento, tudo isto cessará.

[112] Esta originação dependente
É o tesouro mais prezado e profundo da fala do vitorioso.
Aquele que é capaz de ver isto vê o Buddha —
O conhecedor supremo da realidade.

[113] Visão correta, meio de vida correto, esforço correto, lembrança
correta,
Concentração correta, fala correta, atividade correta e conceitualização
correta
São os oito esteios do caminho.
Meditai sobre eles a fim de atingir o nirvana.

[114] Tudo o que emerge é sofrimento —
Na ânsia do desejo está sua vasta origem.
Sua cessação é liberação —
O caminho para conseguir isto é o nobre caminho óctuplo.

[115] Em sendo assim, empenhai-vos,
Sempre a fim de ver as quatro verdades nobres.
Mesmo aqueles pais de família sobre cujo regaço repousam grandes riquezas
mundanas,
Podem, por meio do conhecimento, cruzar o rio das aflições mentais.

[116] Ademais, aqueles que obteram compreensão do Dharma
Não caíram do céu nem brotaram do chão como plantas.
Eles eram, anteriormente, apenas pessoas comuns,
Sujeitas às aflições mentais.

[117] Que necessidade há de se pregar tanto ao destemido?
Subjugai vossa mente — esta é a mais útil e essencial das instruções.
O Bhagavan declarou que a mente
É a raiz do Dharma.

[118] Levar a cabo todo ensinamento aqui oferecido
Seria difícil mesmo para um monge.
Conferi sentido à vossa vida desenvolvendo as boas qualidades
Da instrução que praticardes, seja ela qual for.

[119] Regozijai-vos com toda a virtude de todos os seres
E dedicai vossos próprios bons feitos das três vertentes
À obtenção do estado búddhico;
Então, com esse acúmulo de virtudes,

[120] Tornai-vos mestre em yoga em todos os mundos de deuses e homens
Por um incomensurável de nascimentos,
E protegei muitos seres indefesos
Com atividades semelhantes àquelas do nobre Avalokiteshvara.

[121] Em um nascimento derradeiro,
Debelai doença, velhice, desejo e ódio.
Então, em um campo búddhico, tal como o fez o senhor Amitabha,
Tornai-vos guardião do mundo, com uma vida de infinita duração.

[122] Havendo alcançado o estágio da vitória —
Que pacifica os humanos da terra e os divinos jovens celestiais que se
deliciam dos sentidos
E que extingue medo, nascimento e morte
Para miríades de indefesos seres aflitos —

[123] Espalhai a fama da sabedoria, moralidade e generosidade imaculadas
Por todas as regiões celestiais, pelo espaço e sobre a face da terra.
Por fim, alcançai o estado transcendente —
De existência apenas nominal, paz, destemor, não-corrompido e perfeito.

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“A verdade é única, embora os sábios a conheçam como muitas.”

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_OMMMMMMM* _ vibra mentalmente o yogue, meditando suavemente sobre a copa de uma árvore frondosa! Tenta assim ligar – se a Brahman* e ao ego esmagar! Bem ao lado dele um espírito, aparentando – se um moço de uns vinte a trinta anos o acompanha amparando – o em sua meditação.

Nesse estado  em que ele está mais suscetível a certas intuições o espírito que aqui chamaremos de “José” (isso mesmo, um José amparando um yogue, pois nome é apenas um nome…) o auxilia a manter seu pensamento firme e concentrado, enquanto o envolve em uma energia luminosa proporcionando um bem estar ao seu protegido. Também dá alguns conselhos que o yogue parece compreender, intuitivamente. José apresenta – se como um desses ascetas da Índia. Sussurra ao ouvido atento do yogue:_Irmão cuidado com os véus de Maya que envolvem toda a criação e criatura!

Aconchegue – se no coração, na câmara secreta onde Brahman o absoluto vive! Vós é Um com  Ele. Meditação, concentração e auto – conhecimento são essenciais para a ascensão espiritual, mas não esquece do amor! No amor incondicional vive Brahman! Lembra – se de Govinda*, lembra – se do senhor Krishna* e seus benevolentes olhos de lótus, e no amor infinito de Vishnu* devote – se integralmente ao criador!Om Tat Sat*De repente sente uma intensa sensação de “chamamento” e concentrando – se percebe que a cerimônia budista do templo próximo ao local de meditação, já começou, e volita* para lá. 

Toma agora uma forma um pouco mais velha, usando roupas tradicionais dos templos budistas e de suas hierarquias.

Concentra – se e utilizando de todas as vibrações ali evocadas pelos pensamentos e sentimentos das pessoas, junto com um grupo de amparadores, ministra passes em todas as pessoas presentes na cerimônia. Na hora do monge doutrinar as pessoas José apresenta – se do lado dele e intuindo – o, o monge assim pronuncia – se:_ Salve a Luz do grande Buda! Que nós possamos todos cumprir o dharma levando a compaixão de mestre Sakyamuni* para nossos irmãos. Que possamos todos praticar as oito verdades nobres* assim como o caminho do meio*. Mas lembrem – se que o amado Buda, mesmo com toda sua sabedoria e conhecimento, na verdade é lembrado por sua enorme compaixão! Isso mesmo, amor e compaixão! Ninguém chega a iluminação sem amor e compaixão. Nunca esqueçam disso e um dia o amoroso Buda os acolherá em nirvana*…Om Mani Padme Hum*.   

Missão cumprida José desloca – se pela força do pensar da Índia ao Brasil. Coloca – se junto com um irmão seu de outras vidas que agora reencarnado em solo brasileiro, trabalha dentro da egrégora de Umbanda. A gira começa e José tomando a forma de um índio, aproxima – se e acopla – se auricamente ao seu irmão de outros tempos. Utilizando – se do veículo físico, que José carinhosamente chama de “cavalo” ministra passes de descarrego e de cura na assistência. No final da gira ele pede permissão para falar aos médiuns:_ Esses filhos, escuta o que esse caboclo fala a vós. Esse caridade que fazeis nesse cazuá de pai Oxalá é de extrema importância para essa comunidade assim como para vocês mesmo .

Bênçãos possam ser derramadas a vós! Esse, lembrem – se sempre que no coração de vocês moram todos esses Orixás e vós sois templos vivos do criador Olorum, para semear paz e amor nessa terra. Amor filhos, é isso que esse caboclo pede ! Amor em vossas atividades mediúnicas e com os vossos semelhantes.

Coração aceso e Orixás nele assentado! Que as forças desses Orixás abençoem a todos e que meu Pai Oxalá* cubra vossas coroas e corações de luz! Esse caboclo Pena Branca* agradece vós..Fim de gira José ”voa” para o centro espírita onde sua presença é solicitada! (e dizem que os guias ficam o tempo todo ao nosso lado e nada fazem no astral…)Lá chegando passa uma mensagem psicografada através de seu aparelho.

Ela diz assim:_Saudações irmãos em Jesus. Venho através desse aparelho dizer que cada vez mais faz – se necessário que unidos fiquemos para melhor trazer a luz do espiritismo a Terra. Hostes de espíritos acorrentados no ódio e no rancor rondam, os servidores da luz, tentando atrapalhar seus envolvimento com as benéficas correntes de espíritos de luz. Por isso “orai e vigiai” todos como mestre Jesus pregou. Também estudemos e pratiquemos o evangelho em nosso cotidiano usando dele como escudo fluídico, das investidas desses irmãos menos favorecidos. 

E principalmente pratiquemos o grande mandamento pregado por mestre Jesus: Amai – vos uns aos outros! Que Deus em sua infinita Bondade abençoe a todos vós! Luz em Deus e Jesus. Doutor José da Silva*.Bem , o nosso querido José, após a sessão volitou para sua cidade extrafísica, levando em seu rosto um semblante calmo e de dever cumprido. Mas principalmente levava um sentimento de amor ao criador e, por conseguinte a criação, agradecendo a todos os Devas, Orixás, Anjos, Jesus, etc por poder fazer um trabalho como esse nas ondas da espiritualidade…

Fernando Sepe